Entendendo a vida em uma cadeira de rodas

Quando você vê alguém em uma cadeira de rodas, qual é sua reação? Você diz oi ou olha para o outro lado? Você se perguntou como essa pessoa gostaria de ser tratada?

Recentemente, tive uma cirurgia e tive que confiar em uma cadeira de rodas para dar uma volta. Enquanto a cadeira de rodas me ajudou, às vezes era frustrante. Foi difícil manobrar em nossa casa e, lá fora, precisávamos ter cuidado com as rachaduras da calçada, calhas e a subidas. Se eu sentava por muito tempo, ficava bem desconfortável. Entrar e sair do carro foi cansativo para o meu marido. Ainda assim, consegui ir até onde queria, e eu era agradecida por isso.

Em meio ao público

Quando estava na rua, comecei a perceber reações perturbadoras de algumas pessoas. A maioria das pessoas, verdade, foi útil e abriu portas ou me deixava passar primeiro. Mas, às vezes, pessoas esbarravam em mim ao passarem e nunca pararam para pedir desculpas. Eles pareciam não ter muita paciência se eu estivesse na frente deles, e não percebiam o quão estranho é tentar dar uma volta nos objetos ou entrar no elevador. Outra coisa que notei, as pessoas às vezes se olhavam para o outro lado se nos vissem chegando…

A história de Karen

Isso me lembrou uma entrevista que fiz há vários anos com uma jovem brilhante chamada Karen, que passou a maior parte de sua vida em uma cadeira de rodas. Ela nasceu com uma doença genética chamada Ataxia de Friedreich. Aos 13 anos, ela passava o maior tempo numa cadeira de rodas.

Quando conhecemos a Karen, ela estava na adolescência. Nós nos tornamos bons amigos com ela e sua família. Ela estava sempre sorrindo e rindo, e tinha uma atitude muito positiva.

Uma vez eu perguntei a Karen se ela me permitiria escrever um artigo para um boletim da igreja sobre as suas dificuldades de ser fisicamente incapacitada, e o que era viver praticamente em uma cadeira de rodas. Ela já tinha 32 anos de idade, e concordou com meu pedido. Pedi para ela descrever o que é ser incapaz e ter que usar uma cadeira de rodas por muito tempo.

“Quando você se torna incapaz pela primeira vez, você precisa aprender a se acostumar a ser incapaz, o que você pode ou não pode fazer”, explicou Karen. “Então você tem que aprender a fazer as coisas de forma diferente, à medida que a doença avança. Eu ainda tenho sonhos normais e, naqueles sonhos, ando e corro como todos os outros”. Perguntei então como as pessoas a tratavam quando a viam numa cadeira de rodas.

Ela disse: “As pessoas não sabem como se comunicar com alguém em uma cadeira de rodas. Uma vez, uma senhora veio e falou comigo como se eu fosse pequena criança. Algumas pessoas me tratam como deficiente mental porque estou em uma cadeira de rodas. Outras só passam por mim como se não me vissem. Às vezes, tocam meus pés ou pernas quando estão perto de mim. Eles pensam que não sinto nada ali, mas sim.”

“As pessoas devem tentar imaginar o que é estar em uma cadeira de rodas”, continuou Karen. “Desejo que outros adultos me tratem como um adulto. Eu realmente gosto de crianças. Eles se aproximam e falam comigo.” Karen afirmou que os membros de sua igreja sempre foram úteis.

“Ser deficiente na igreja é mais relaxante, e as pessoas falam comigo. Eu deveria ter morrido quando eu tinha cerca de 16 anos, mas aqui estou eu, 32 anos. Deus me abençoou”, ela me contou com um sorriso grande e bonito. Karen estava com 100% de deficiência na época de sua entrevista. Sua condição piorou, e ela morreu alguns anos depois.

Lições para aprender

A história de Karen e minha própria experiência me impressionaram do que é ser incapaz ou deficiente, e numa cadeira de rodas. Isso me fez tentar considerar como uma pessoa em uma cadeira de rodas gostaria de ser tratada.

Karen não queria simpatia. Karen e outros como ela entendem que é difícil para algumas pessoas saber o que dizer. Eles não querem ser tratados como uma pessoa invisível, evitados ou encarados. Eles não querem ser o centro da atenção. Se você acidentalmente se esbarrar com uma pessoa com deficiência, basta pedir desculpas. Algumas pessoas não estão paralisadas e sentem o seu corpo, braços e pernas.

Se você passar por uma pessoa com deficiência, dê-lhe um grande sorriso. A maioria de nós precisa de um sorriso em nossa direção de vez em quando. Se você vai conversar com alguém em uma cadeira de rodas, ajudaria se você pudesse encontrar um lugar para se sentar, falar ao nível dos olhos da pessoa para que ela não precise se contorcer para ver você.

Não ignore as pessoas em cadeiras de rodas como se fossem invisíveis, não aumente a distância quando você passar. Cumprimente-os com um “Olá, é bom ver você. Como você está?” Lembre-se de tratar as pessoas com deficiência da mesma maneira que você quer ser tratada.

Precisamos entender que a maioria das pessoas com deficiência são como você e eu, com sentimentos, pensamentos e desejos semelhantes.

Algumas crianças pequenas não parecem ter muito problema em se comunicar com pessoas com deficiência. Talvez precisemos imitar essas crianças a este respeito e não nos impedir de ir a uma pessoa com deficiência e, simplesmente, começar a conversar com ela. Na verdade, muitas crianças estão confortáveis conversando com os deficientes, os idosos e quase todos. Incentive seus filhos a fazer isso mais vezes, e se esforcem para aprender com elas!

Artigo do site https://lifehopeandtruth.com
by Shelby Faith

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